terça-feira, 29 de outubro de 2013

COMO ELEFANTES DE CIRCO


(Maria Lemoigne)

 Quando eu era criança me encantavam os circos, e  do que eu mais
 gostava eram os animais. Tanto a mim como a outras  pessoas, como fiquei
 sabendo mais tarde, chamava atenção o elefante.

Durante o espetáculo, o enorme animal fazia demonstrações de peso,
 tamanho e força descomunais. Mas, depois de sua  atuação, e até um segundo
 antes de entrar em cena, o elefante permanecia  preso, quieto, contido
 somente  por uma corrente que aprisionava uma de suas
 patas a uma pequena estaca  cravada no solo.

 Sem dúvida alguma a estaca era só um pedaço de  madeira, apenas
 enterrado alguns centímetros na terra. E, ainda  que a corrente fosse grossa  e
 poderosa, me parecia óbvio que esse animal, capaz  de arrancar uma
 árvore com sua própria força, poderia, com  facilidade, arrancar a estaca e
 fugir.

 O "mistério" é evidente: "O que o mantém, então?  Por que não foge?"
 Quando eu tinha cinco ou seis anos, eu todavia  confiava na sabedoria
 dos adultos. Perguntei então a algum professor, ou  a algum parente, ou
 algum tio, sobre o "mistério" do elefante. Algum  deles me explicou que o
 elefante não escapava porque estava amestrado. Fiz  então a pergunta
 óbvia: - Se está amestrado, por que o prendem? 
 Não  recordo haver recebido nenhuma resposta coerente! Com o tempo,
 esqueci do "mistério"  do elefante e da estaca...

 Eu somente recordava quando me encontrava com
 outros que também se  haviam feito a mesma pergunta.

 Há alguns anos descobri que, por sorte minha,  alguém havia sido
 bastante sábio para encontrar a resposta: o  elefante do circo não escapa
 porque tem permanecido atado à estaca desde muito,  muito pequeno.

 Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido  sujeito à estaca.
 Tenho certeza que, naquele momento, o elefantinho  puxou, forçou, tratando
 de soltar-se. E, apesar de todo o esforço, não o  pôde fazer. A estaca
 era certamente muito forte para ele. Juraria que  dormiu esgotado e que
 no dia seguinte voltou a tentar, e também no outro que se seguia. Até que
 um dia, um terrível dia para sua história, o  animal aceitou sua impotência e
 se resignou a seu destino. O elefante enorme e  poderoso que vemos no
 circo não escapa porque crê, realmente, o pobre,  que não pode. Ele tem o
 registro e a recordação de sua impotência, daquela  impotência que sentiu
 pouco  depois de nascer. E o pior é que jamais voltou a  questionar seriamente esse
 registro.

 Jamais voltou a colocar à prova sua força outra  vez.
 Muitas vezes somos como os elefantes. Vivemos  crendo que um montão
 de coisas "não podemos". Simplesmente porque,  alguma vez, quando éramos
 crianças, tentamos e não conseguimos. Fazemos,  então, como o elefante.

 Gravamos em nossa memória: "Não posso. Não posso e
 nunca poderei!" Crescemos  carregando essa mensagem que impusemos a nós
 mesmos e nunca mais voltamos  a tentar.

 Quando muito, de vez em quando sentimos as correntes, fazemos soar o
 seu ruído, ou olhamos com o canto dos olhos a  estaca e confirmamos o
 estigma: "Não posso e nunca poderei!".A única  maneira de tentar de novo é
 colocando muita coragem em nossa cabeça e em nosso  coração! Mas como superar
 sentimentos que vem desde a infância?

 Peça a ajuda de Deus: "Se alguém tem falta de sabedoria, peça a
 Deus. Ele dará porque é generoso e dá com bondade  a todos".


Na Paz de Deus, Maestro de nossas vidas,
Erasmo Romão

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