(Maria Lemoigne)
Quando eu era criança me encantavam os circos, e do que eu mais
gostava eram os animais. Tanto a mim como a outras pessoas, como fiquei
sabendo mais tarde, chamava atenção o elefante.
Durante o espetáculo, o enorme animal fazia demonstrações de peso,
tamanho e força descomunais. Mas, depois de sua atuação, e até um segundo
antes de entrar em cena, o elefante permanecia preso, quieto, contido
somente por uma corrente que aprisionava uma de suas
patas a uma pequena estaca cravada no solo.
Sem dúvida alguma a estaca era só um pedaço de madeira, apenas
enterrado alguns centímetros na terra. E, ainda que a corrente fosse grossa e
poderosa, me parecia óbvio que esse animal, capaz de arrancar uma
árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancar a estaca e
fugir.
O "mistério" é evidente: "O que o
mantém, então? Por que não foge?"
Quando eu tinha cinco ou seis anos, eu todavia confiava na sabedoria
dos adultos. Perguntei então a algum professor, ou a algum parente, ou
algum tio, sobre o "mistério" do elefante.
Algum deles me explicou que o
elefante não escapava porque estava amestrado. Fiz então a pergunta
óbvia: - Se está amestrado, por que o prendem?
Não recordo haver recebido nenhuma resposta coerente! Com o tempo,
esqueci do "mistério" do elefante e da estaca...
Eu somente recordava quando me encontrava com
outros que também se haviam feito a mesma pergunta.
Há alguns anos descobri que, por sorte minha, alguém havia sido
bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa
porque tem permanecido atado à estaca desde muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido sujeito à estaca.
Tenho certeza que, naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tratando
de soltar-se. E, apesar de todo o esforço, não o pôde fazer. A estaca
era certamente muito forte para ele. Juraria que dormiu esgotado e que
no dia seguinte voltou a tentar, e também no outro que se seguia. Até que
um dia, um terrível dia para sua história, o animal aceitou sua impotência e
se resignou a seu destino. O elefante enorme e poderoso que vemos no
circo não escapa porque crê, realmente, o pobre, que não pode. Ele tem o
registro e a recordação de sua impotência, daquela impotência que sentiu
pouco depois de nascer. E o pior é que jamais voltou a questionar seriamente esse
registro.
Jamais voltou a colocar à prova sua força outra vez.
Muitas vezes somos como os elefantes. Vivemos crendo que um montão
de coisas "não podemos". Simplesmente porque, alguma vez, quando éramos
crianças, tentamos e não conseguimos. Fazemos, então, como o elefante.
Gravamos em nossa memória: "Não posso. Não posso e
nunca poderei!" Crescemos carregando essa mensagem que impusemos a nós
mesmos e nunca mais voltamos a tentar.
Quando muito, de vez em quando sentimos as correntes, fazemos soar o
seu ruído, ou olhamos com o canto dos olhos a estaca e confirmamos o
estigma: "Não posso e nunca poderei!".A única maneira de tentar de novo é
colocando muita coragem em nossa cabeça e em nosso coração! Mas como superar
sentimentos que vem desde a infância?
Peça a ajuda de Deus: "Se alguém tem falta de sabedoria, peça a
Deus. Ele dará porque é generoso e dá com bondade a todos".
Na Paz de Deus, Maestro de nossas vidas,
Erasmo Romão
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